Empresária lidera equipe diante de gráfico de crescimento em pequena empresa

Quando olhamos para o mercado formal de trabalho no Brasil, um dado chama nossa atenção de imediato. As micro e pequenas empresas abrem mais espaço para as mulheres do que os negócios de maior porte. Isso aparece com clareza no levantamento Panorama do Emprego 2026, com base em dados da RAIS.

Ao fim de 2024, as mulheres ocupavam cerca de 43% dos postos de trabalho nas MPE. Estamos falando de aproximadamente 8,5 milhões de trabalhadoras. Nas médias e grandes empresas, essa fatia ficou em 38%. Já a média nacional, considerando todos os portes, foi de 41%.

As MPE têm hoje uma presença feminina acima da média nacional e também acima da registrada nas empresas maiores.

Em nossa rotina com empresas de vários setores, algo parecido já vinha aparecendo na prática. Muitas estruturas menores conseguem contratar com mais agilidade, distribuir funções de forma mais próxima da realidade do time e criar portas de entrada para mulheres em áreas administrativas, comerciais, financeiras e de atendimento.

O que esses números mostram?

Os dados do estudo feito pelo Sebrae com informações da RAIS consideraram porte das empresas, gênero, setor de atividade e remuneração média. Com isso, foi possível mostrar como homens e mulheres estão distribuídos no mercado formal e como essa presença muda conforme o tamanho do negócio.

O retrato é direto. As micro e pequenas empresas não apenas empregam muito, como também concentram uma parte relevante dos empregos formais femininos no país. Isso muda a conversa sobre geração de vagas. Muitas vezes, a atenção fica voltada para grandes estruturas, mas a base do mercado está nas empresas menores.

É nas MPE que muitas trajetórias profissionais começam.

Esse ponto ganha ainda mais peso quando lembramos que pequenos negócios estão espalhados por todo o Brasil, em bairros, centros comerciais, polos de serviços e cadeias locais de produção. Isso amplia o acesso ao emprego formal, sobretudo em regiões onde as grandes companhias não têm tanta presença.

Participação maior e diferença salarial menor

Há outro dado que merece leitura cuidadosa. A desigualdade de renda entre homens e mulheres continua existindo, mas ela é menor nas micro e pequenas empresas. Segundo o levantamento do Sebrae sobre contratação feminina e renda nas MPE, o rendimento médio das mulheres nesses negócios foi de R$ 2.596,77. Entre os homens, a média chegou a R$ 3.056,29. A diferença, portanto, foi de 15%.

Nas médias e grandes empresas, a distância é maior. Os homens tiveram média salarial de R$ 4.630,41, enquanto as mulheres receberam R$ 3.586,40. Nesse caso, a diferença foi de 23%.

Embora a desigualdade salarial ainda exista, ela é menos acentuada nas micro e pequenas empresas.

Isso não significa que o problema esteja resolvido. Não está. Mas o dado mostra que o ambiente das MPE pode oferecer uma relação menos desigual entre remuneração e gênero do que a observada em empresas maiores. Para quem administra folha, cargos e políticas internas, esse tipo de leitura ajuda muito.

Quando uma empresa acompanha seus indicadores de admissão, salário e evolução por função, ela consegue corrigir distorções com mais rapidez. E isso vale tanto para conformidade quanto para gestão de pessoas.

Onde estão as mulheres nas MPE?

A distribuição por setor também ajuda a entender o cenário. Mais de 80% das mulheres empregadas nas micro e pequenas empresas estão em Serviços e Comércio. Isso diz muito sobre a estrutura do pequeno negócio brasileiro, que tem forte presença nessas áreas.

Entre os homens nas MPE, a divisão setorial aparece de outro modo:

  • Serviços concentram 37,5% dos empregos masculinos.
  • Indústria responde por 26%.
  • Comércio representa 25%.
  • Construção Civil reúne 9% dos homens, contra 2% das mulheres.

Nas MPE, a maior parte das mulheres está em Serviços e Comércio, enquanto a Construção Civil tem peso bem maior entre os homens.

Esse recorte setorial não serve apenas para descrever o mercado. Ele também aponta onde estão as maiores chances de contratação feminina, os setores com mais permanência e os espaços em que ainda há desequilíbrio de participação. Em muitos casos, a leitura desses dados ajuda empresários a revisar processos de recrutamento, plano de cargos e até rotinas de treinamento.

Nós percebemos isso com frequência. Uma empresa de serviços, por exemplo, costuma ter forte presença feminina em atendimento, financeiro, RH e administrativo. Já em operações ligadas à obra ou chão de fábrica, a distribuição ainda tende a ser mais desigual. O dado confirma essa percepção do dia a dia.

O peso das MPE no emprego formal

Quando juntamos participação feminina, presença territorial e volume de contratações, entendemos melhor o papel das micro e pequenas empresas no país. Elas não estão apenas gerando vagas. Elas sustentam uma parte ampla da vida econômica local.

No comércio, isso fica ainda mais claro. Segundo o dado de que as micro e pequenas empresas respondem por quase 70% dos empregos formais do setor no Brasil, vemos que o pequeno negócio tem uma força muito grande na abertura de oportunidades. Como o Comércio está entre os principais setores de ocupação feminina nas MPE, esse peso se conecta diretamente à inclusão de mulheres no mercado formal.

Há algo de muito concreto nisso. Basta pensar em lojas, clínicas, escritórios, centros de estética, escolas, pequenos mercados, prestadores de serviços e negócios familiares em expansão. São empresas que contratam perto de casa, movimentam o bairro e formalizam vínculos que fazem diferença na renda de milhares de famílias.

Pequenos negócios movem grandes mudanças.

Renda em crescimento nas empresas menores

Outro sinal positivo vem da evolução salarial recente. Entre 2022 e 2024, o salário médio nas MPE cresceu 5%, passando de R$ 2.700 para R$ 2.900, já descontada a inflação pelo INPC. Nas médias e grandes empresas, o avanço foi de 3,7% no mesmo período.

Esse dado não trata só de renda. Ele mostra que os pequenos negócios seguem ativos, contratando e reajustando seus quadros em um ritmo que merece atenção. Quando esse crescimento encontra maior participação feminina e menor diferença salarial, o resultado é um ambiente mais aberto para o trabalho formal das mulheres.

Claro, ainda há desafios. Remuneração, acesso a cargos de liderança, divisão por setor e permanência no emprego continuam no centro do debate. Mas os números mostram uma base mais favorável nas MPE do que em empresas maiores, e isso já é um dado concreto.

O que as empresas podem aprender com isso?

Para nós, a principal leitura é simples. Quem administra uma micro ou pequena empresa precisa olhar para esses números como instrumento de gestão. Eles ajudam a entender o próprio quadro de pessoal e a criar práticas mais justas.

Alguns pontos merecem atenção no dia a dia:

  • Acompanhar a distribuição de homens e mulheres por função;
  • Comparar faixas salariais entre cargos semelhantes;
  • Mapear setores com baixa participação feminina;
  • Manter rotinas de departamento pessoal e folha bem organizadas.

Quando essa gestão é feita com método, a empresa ganha clareza. E clareza reduz erro.

As MPE já mostram, na prática, que são espaço de forte presença feminina no emprego formal brasileiro. Se sua empresa quer crescer com conformidade, boa leitura de indicadores e apoio confiável na gestão fiscal, financeira e de pessoas, vale conhecer melhor a Gerencial e descobrir como nossos serviços podem apoiar esse caminho.

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